O que são Alimentos Transgênicos?

De uns anos para cá tem surgido na imprensa brasileira um assunto que ainda não é de total conhecimento da população: alimentos transgênicos. Mas, o que isso significa? Significa que são geneticamente modificados, ou seja, criados em laboratório e sofrem alteração no seu código genético (DNA). E isso não acontece de forma natural. Na verdade, as informações do código genético (que comanda todas as funções da célula) dos alimentos são manipuladas. E o que ocorre é que o código é retirado da célula viva e manipulado fora dela, modificando a sua estrutura genética.

Assim sendo, o gene de um organismo é inserido em outro. Esse “implante” pode ocorrer até entre organismos de espécies diferentes, como, por exemplo, a inserção de um gene de um vírus em uma planta. Além do DNA do vírus, também pode ser inserido o código genético de bactérias e fungos no DNA da planta. Segundo estudos, as plantas que receberam os genes modificados seriam mais resistentes às pragas da lavoura e, por isso, não necessitariam de determinados agrotóxicos.

Um dos objetivos dos alimentos geneticamente modificados é a melhora na qualidade dos alimentos, o aumento da produção e a resistência às pragas. Além destes existem outros motivos para modificar geneticamente um alimento ou vegetal. Alguns alimentos são modificados para que o seu amadurecimento seja prolongado, resistindo por muito mais tempo após a colheita. Já os vegetais podem sofrer modificações visando o seu aumento de tamanho, enquanto que outros são modificados para resistirem ao ataque de vírus e fungos.

Países como Estados Unidos, União Europeia e Argentina cultivam alimentos transgênicos. O Brasil também produz transgênicos, e segundo o Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), o país tinha a segunda maior produção de transgênicos do mundo. Segundo o órgão, em 2012, cerca de 89% da soja, 76% do milho e 50% do algodão plantados no país eram geneticamente modificados.

Eventualmente surgem notícias sobre os alimentos transgênicos. No entanto, ainda há muita desconfiança dos consumidores sobre esses alimentos, já que o público ainda teme possíveis efeitos negativos dos transgênicos para a saúde e o meio ambiente à longo prazo. Por outro lado, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) garantem que os transgênicos são seguros e que a tecnologia de manipulação genética é realizada sob o controle dos protocolos de segurança.

Há quem acredite que os alimentos transgênicos podem ajudar a reduzir a fome no mundo e alimentar 7 bilhões de pessoas no planeta, já que um dos objetivos destes alimentos é aumentar a produção. No entanto, há quem critique a prática dizendo que o problema não está na quantidade de alimentos produzidos, e sim na má distribuição. A polêmica em torno dos transgênicos está longe de acabar.

Aspectos positivos dos transgênicos

Há uma corrente que defende o plantio de alimentos transgênicos. Entre os aspectos positivos dos alimentos transgênicos o destaque é para:

  • Aumento da produção de alimentos;
  • Aumento do conteúdo nutricional;
  • Maior resistência, durabilidade e tempo na estocagem e armazenamento;
  • Maior resistência às pragas (bactérias, fungos, vírus e insetos);
  • Diminuição de agrotóxicos.

Aspectos negativos dos transgênicos

Se há quem aposte nas vantagens de se plantar alimentos transgênicos, também há quem critique e acredita que esse tipo de alimento será prejudicial à saúde e ao meio ambiente. Confira então os aspectos negativos destacados por quem é contra a plantação e o consumo de alimentos geneticamente modificados.

  • Aumento das reações alérgicas em determinadas pessoas;
  • As plantas que não sofreram modificação genética podem ser eliminadas pelo processo de seleção natural, pois as transgênicas possuem maior resistência às pragas e pesticidas;
  • Aumento da resistência aos pesticidas e gerando maior consumo deste tipo de produto;
  • Apesar de eliminar pragas prejudiciais à plantação, o cultivo de plantas transgênicas pode, também, matar populações benéficas como abelhas, minhocas e outros animais e espécies de plantas;
  • Testes em animais pautam debate sobre aumento de incidência de câncer.

Alimentos transgênicos

Você pode não ter dado conta, mas os alimentos transgênicos já estão misturados aos alimentos comuns nas prateleiras dos supermercados faz tempo. Provavelmente você não conseguirá identificá-los facilmente, devido a discreta rotulagem obrigatória no Brasil de produtos com até 1% de componentes transgênicos. No entanto, eles já se encontram presentes no nosso dia a dia e talvez você já até tenha consumido um alimento geneticamente modificado sem ter percebido.

Normalmente, ouve-se falar mais em soja ou milho transgênico, porém já foram feitos testes com arroz, feijão, abobrinha, queijo, mamão e salmão, o primeiro animal geneticamente modificado aprovado para consumo humano. Em 2014, o salmão transgênico chega à mesa de jantar.

Alimentos transgênicos

Confira então os 10 alimentos transgênicos que já fazem parte da cadeia alimentar.

  • Soja – Existem vários tipos de soja transgênicas sendo desenvolvidas atualmente. No Brasil, a soja transgênica ocupa quase um terço de toda a área dedicada à agricultura. A CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) liberou cinco variantes da planta, todas tolerantes a herbicidas. Os subprodutos da soja para consumo humano são: óleo, leite de soja, tofu, bebidas de frutas e soja (todos com proteínas transgênicas). No Brasil, a Monsanto já está na produção da segunda geração da soja transgênica.
  • Milho – No Brasil, 18 variantes de milho geneticamente modificado foram autorizadas pelo CTNBio, órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia que aprova os pedidos de comercialização de OGMs. Além do milho há vários subprodutos modificados como amido, glucose – usados em alimentos processados (salgadinhos, bolos, doces, biscoitos, sobremesas). Espigas, flocos, milho em lata, milho para pipoca, farinha de milho amarela, fubá também são encontrados na versão transgênica.
  • Óleo de cozinha – Óleos extraídos de soja, milho e algodão, os três campeões entre as culturas geneticamente modificadas.
  • Arroz – Vários tipos de arroz estão sendo testados, principalmente na China, que busca um cultivo resistente a insetos. O mais famoso é o “arroz dourado”, geneticamente modificado e enriquecido com betacaroteno, que é convertido no organismo em vitamina A. Desenvolvido por cientistas suíços e alemães, o “arroz dourado” está sendo testado em países do sudeste asiático e na China.
  • Feijão – Depois de anos de pesquisa, a Empresa Brasileira para Pesquisa Agropecuária (Embrapa), ligada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, conseguiu em 2011 a aprovação na CTNBio para o cultivo comercial de uma variedade do feijão carioca, que foi geneticamente modificado para ser resistente ao vírus do mosaico amarelo, tido como o maior inimigo dessa cultura no país e na América do Sul. É o primeiro produto geneticamente modificado desenvolvido por uma instituição pública brasileira. As sementes devem ser distribuídas aos produtores brasileiros em 2014.
  • Salmão – A FDA, agência reguladora de alimentos e remédios nos EUA, declarou que o salmão geneticamente modificado não trazia riscos para a saúde e o meio ambiente. Segundo a Embrapa, o salmão pode ser consumido pelo ser humano. No entanto, ainda se discute se há riscos para o meio ambiente, já que os transgênicos foram criados para crescer mais rápido. Isso significa que se eles forem para a natureza, podem disputar o alimento com os peixes normais. E como crescem mais rápidos, podem sair em vantagem na disputa por alimentos e levar os peixes normais à extinção.
  • Mamão papaya – Cerca de 85% da papaya do Havaí vem de uma variedade geneticamente modificada para combater um vírus devastador para a planta. Não é vendida no Brasil, nem na Europa. O mamão papaya transgênico possui dois genes, sendo que um deles torna a planta resistente ao vírus da mancha anular, ou mosaico, responsável por grandes prejuízos nas plantações da fruta.
  • Queijo – Para fermentar o leite e transformá-lo em queijo, os laticínios utilizam a quimosina, enzima produzida por uma bactéria. As enzimas são isoladas e depois colocadas no soro do leite para coagulá-lo e produzir o queijo. Como a quimosina é eliminada do produto final, o queijo não precisa conter a rotulação obrigatória com a informação de que é um alimento geneticamente modificado.
  • Pão, bolos e biscoitos – Vários ingredientes usados em pão e bolos vêm da soja, como farinha (em proporção pequena), óleo e agentes emulsificantes como lecitina. Outros componentes podem derivar de milho transgênico, como glucose e amido. Também há entre os aditivos mais comuns, alguns que podem originar de micro-organismos modificados, como ácido ascórbico, enzimas e glutamato.
  • Abobrinha – Nos Estados Unidos e Canadá são plantadas e comercializadas seis variedades de abobrinha resistentes a três tipos de vírus. Ela não é vendida no Brasil ou na Europa.

A polêmica dos transgênicos

Existe muita polêmica sobre os benefícios e os malefícios dos alimentos transgênicos. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) divulgou, por exemplo, em 2012, um estudo que revela os riscos dos transgêncios para a agricultura, saúde e o meio ambiente. Segundo o órgão, as pessoas poderão desenvolver problemas de saúde, o agricultor ficará dependente das empresas que comercializam os alimentos transgêncios e o meio ambiente sofrerá ainda mais com as pragas e ervas-daninhas. Confira a seguir o que deve mudar para o homem e o meio ambiente com o crescimento dos transgênicos no mercado.

  • Saúde – Entre os principais riscos à saúde, destaque para o aumento das alergias; aumento de resistência aos antibióticos; aumento das substâncias tóxicas; maior quantidade de resíduos de agrotóxicos.
  • Agricultura – No caso do agricultor, ele terá de pagar royalties para a empresa detentora da tecnologia, já que as espécies transgênicas são protegidas por patentes. Consequentemente, haverá o aumento da dependência do agricultor em relação às empresas transnacionais do setor.
  • Meio ambiente – A inserção de genes de resistência a agrotóxicos em certos produtos transgênicos faz com que as pragas e as ervas-daninhas (inimigos naturais) desenvolvam a mesma resistência, tornando-se “superpragas” e “superervas”.

Com relação à saúde das pessoas há outra grande polêmica sobre a possibilidade de os alimentos transgênicos provocarem o surgimento de tumores. Essa hipótese foi levantada após o resultado de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Caen, na França. Pesquisadores selecionaram dois grupos e ratos: um deles ingeriu milhos transgênicos e o outro se alimentou de milho comum durante dois anos. O estudo revelou que durante o quarto e o sétimo mês de testes, os ratos que ingeriram o milho transgênico apareceram com grandes tumores por todo o corpo. Consequentemente, a taxa de mortalidade foi 3 vezes maior do que os que ingeriram o milho comum.

O resultado da pesquisa foi questionado por parte da comunidade científica e fabricantes de transgênicos. Eles alegam que a pesquisa foi feita em poucos animais e que não foi especificada qual era a alimentação regular dos ratos. Um estudo mais detalhado foi solicitado pela Autoridade Europeia de Segurança dos Alimentos.

Pode-se concluir então que ainda está muito longe a chegada de um acordo entre pesquisadores e empresas quanto à segurança no consumo de alimentos modificados geneticamente.

Como identificar o produto transgênico

Alguns produtos transgênicos já se encontram à venda, mas você sabe como identificá-los? Para que o consumidor não seja pego de surpresa e compre um alimento transgênico sem saber, foi publicado um decreto de rotulagem (4680/2003) obrigando empresas da área da alimentação, produtores e quem mais trabalha com venda de alimentos no Brasil a identificarem os produtos que foram geneticamente modificados. Afinal é direito do consumidor escolher se deseja ou não comprar e consumir alimentos transgênicos.

No entanto, houve muita resistência por parte das empresas em identificar os produtos geneticamente modificados. Mas, a justiça determinou que a rotulagem fosse feita, o que ocorreu a partir de 2008. Assim sendo, os alimentos que contenham mais de 1% de matéria-prima transgênica são identificados com um “T” preto, sobre um triângulo amarelo.

Símbolo alimentos transgênicos

Normalmente, o selo de identificação de transgênicos está bem pequeno, aparecendo no cantinho da embalagem, fazendo com que a maioria das pessoas não perceba esse detalhe na embalagem. Por isso, é muito importante ler o rótulo dos produtos para identificar quais são os geneticamente modificados.

Selo de alimentos transgênicos

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